Saturday, April 25, 2009

Criaturas Aladas

Winged Creatures
You have to lose your way to find it.
Você tem que se perder pra se encontrar.

"Um grupo de estranhos criam um relacionamento único entre si após sobreviverem a tiroteio numa lanchonete."


Um cara entra numa lanchonete e atira aleatoriamente nos funcionários e clientes antes de atirar em si mesmo, mudando a vida de 5 pessoas. Como elas vão lidar com as perdas e os traumas é o que acontece durante a uma hora e trinta minutos desse cáustico e perfurante drama, dirigido por Rowan Woods de 'Sob o efeito da água' (com a ótima Cate Blanchett) e escrito pelo novato Roy Freirich, que também escreveu o romance que leva o mesmo nome do filme.


Acabei de assistir. Adoro dramas coletivos onde vidas de estranhos são interligadas por um fato que os marca pra sempre e que exige superação de todos os lados.

Ter Kate Beckinsale, Guy Pierce, mas, principalmente a Dakota Fanning no elenco foi decisivo pra minha escolha do filme de sábado à noite. Gostei bastante. Se eu fosse crítico de cinema do jornal O Globo e houvesse a mais remota previsão desse filme estrear no Brasil ou ao menos ser lançado em DVD, meu bonequinho estaria aplaudindo de pé em cima da cadeira. Como não há...eu agradeço ao Vivo ZAP por me permitir fazer o download em menos de 3 horas.

É um filme pesado, arrastado, é verdade, mas muito bem dirigido e com atuações tocantes e pungentes. Nunca tinha usado essa palavra na vida, mas tive que procurar no dicionário algum adjetivo que traduzisse toda aflição que eu senti ao ver, em algumas cenas, o comportamento dos personagens. Pungente: que tem ponta aguçada, que provoca dor penetrante.

Interessante ver como eles são afetados pelo fato, mesmo nem todos tendo estado no local, no momento que aconteceu a tragédia, e ver ainda como cada um reage e como lida com o pós-trauma.

Quantos de nós já não fomos ou nos sentimos afetados por algum ato de violência gratuita, impelidos em fazer alguma coisa inclusive, para ajudar estranhos que se tornam conhecidos ao longo do caminho?

Eu já...minha última quinta feira que o diga. Road trip rocks.

Mas será que sentimos e fazemos essas coisas para ajudar estranhos mesmo? Ou nós mesmo que não conseguimos conviver com tanta crueldade gratuita?

E quando você consegue fazer algo pra melhorar a vida daquelas pessoas afetadas, e a sua junto, consegue descrever a sensação? E a responsabilidade de cultivar aquela redoma de proteção? De manter tudo sempre bem...apesar do acontecido.

Nós somos, todos, criaturas aladas, capazes de transformar, manipular, curar, extinguir, fazer da nossa vida, e da dos outros, um céu ou um inferno. Basta que tenhamos um motivo forte pra isso. E acreditemos nele.

Seria isso...brincar de Deus?

Se for, eu sou a mãe!

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